Artigo de Opinião: Páre, Escute e Olhe!

Autora: Rosário Martins, Docente no Instituto Piaget de Silves
 
Diariamente deparamo-nos, quer através da comunicação social quer pelo conhecimento próximo, com situações de emigração dos jovens para outros países à procura de novas oportunidades de emprego e de melhor nível/qualidade de vida e, migração do meio rural para o meio urbano, permanecendo apenas as pessoas mais idosas acompanhadas pelas suas memórias. Estas pessoas ficam expostas a uma série riscos de saúde; como a incapacidade e dependência sociais pela ausência ou deficiente apoio emocional/afetivo e de relações intergeracionais; de isolamento, solidão, sofrimento e exclusão social. Estas situações de solidão e sofrimento pioram quando a pessoa idosa adoece ou quando apresenta incapacidade funcional que a impossibilitem de sair, deslocar-se e interagir com a comunidade, vê-se confrontada com a privação de estabelecer relações interpessoais. 
 
Quando falo em solidão a maioria das pessoas, e as que são detentoras de mais habilitações académicas, fica a olhar para mim com um ar de interrogação/dúvida, franzem o sobrolho, encolhem os ombros… Para esses relembro que a palavra solidão existe, não é um estado unitário, é uma palavra plena de significado, não basta ir ao dicionário de língua portuguesa, é preciso compreender o conteúdo da palavra. Para ser mais explicita vou pegar naquele aviso que encontramos nas passagens podonais de caminho de ferro: “Páre, Escute e Olhe!”.