Formação e Valorização Profissional

Escola Superior de Educação Jean Piaget em V. N. Gaia

A Criança com Necessidades Educativas Especiais - Modelos de Referenciação e Intervenção

A Educação Especial já não é mais concebida como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de medidas que a escola regular põe ao serviço de uma resposta adaptada à diversidade dos alunos.

Na sequência da formação dos alunos do Mestrado e da Pós-Graduação em Ensino Especial, é notória a “carência” de experiências metodológicas de cariz predominantemente prático e de concretização em contextos reais educativos.

Com o objetivo de contribuir para a melhoria e desenvolvimento dessas competências, desenhou-se um plano de ações de formação, tentando desta forma criar e proporcionar outras experiências de formação menos formais, mais participadas e principalmente direcionadas para a aquisição de destrezas e competências práticas de ação na área das NEE.

Objetivos educativos

A inclusão de alunos com necessidades educativas especiais na classe regular implica o desenvolvimento de ações adaptativas, visando a adaptação e flexibilização do currículo, para que ele possa ser desenvolvido de maneira efetiva em sala de aula, e atender às necessidades individuais de todos os alunos.

Essas adaptações curriculares realizam-se em três níveis:

  • Adaptações no nível do projeto pedagógico (currículo escolar) que devem focalizar, principalmente, a organização escolar e os serviços de apoio, propiciando condições estruturais que possam ocorrer ao nível da sala de aula e ao nível individual.
  • Adaptações relativas ao nível do currículo, principalmente, ao nível da planificação de atividades elaboradas para a sala de aula.
  • Adaptações individualizadas do currículo, que focalizam a atuação do professor na avaliação e no atendimento a cada aluno.

Por outro lado, a maior parte das Necessidades Educativas Especiais só se manifesta em idade escolar, e normalmente é o professor que observa que determinado comportamento ou incapacidade não é normal para determinada faixa etária ou ano de escolaridade. Este é o ponto de partida do processo de diagnóstico de uma possível Necessidade Educativa Especial e, é muito importante que o alerta seja dado o mais rapidamente possível para uma célere avaliação e posterior intervenção. Porque desde o diagnóstico à intervenção, consoante a existência de docentes especializados na escola e a eficiência dos médicos a consultar, pode passar um ano letivo, prejudicando o processo de evolução e aprendizagem do aluno. Assim, pretende-se dar alguma formação prática no que concerne à avaliação e diagnóstico dos alunos com NEE.

Destinatários

  • Educadores de Infância;
  • Professores dos Ensinos Básico e Secundário;
  • Professores de Educação Especial.

 

Programa

Data

Para datas e horários contacte o Centro de Competências.


Os conteúdos destas ações de formação situam-se a três níveis:

1. Desenvolvimento/estudo de temas ligadas às NEE:

  • relacionados com as problemáticas das necessidades educativas dos casos de alunos com dificuldades de aprendizagem genéricas;
  • relacionados com o desenvolvimento e construção de instrumentos de diagnóstico e avaliação;
  • relacionados com o desenvolvimento e construção de instrumentos didáticos adequados às áreas/disciplinas curriculares ou de complemento curricular.

2. Desenvolvimento de ações educativas específicas e adequadas a cada aluno/caso em estudo no âmbito:

  • das disciplinas curriculares;
  • das atividades educativas de complemento curricular;
  • das atividades educativas previstas no programas educativos individuais dos alunos integrados na medida de ensino especial.

3. Estudo de instrumentos de avaliação das incapacidades (CIF) à luz da atual legislação.

A presente ação tem por finalidade dotar os formandos das competências necessárias para a utilização do referencial CIF no processo de elegibilidade dos alunos para a educação especial e de elaboração do Programa Educativo Individual [PEI].:

  • A CIF constitui um sistema de classificação multidimensional e interativo que permite descrever a funcionalidade d ser humano e as suas restrições, servindo ainda como enquadramento para organizar essa informação de maneira integrada e facilmente acessível.
  • O modelo biopsicossocial no qual a CIF se encontra ancorada, pressupõe uma abordagem sistémica, ecológica e interdisciplinar na compreensão do funcionamento humano, o que requer a implementação de dinâmicas de trabalho colaborativo entre os diferentes intervenientes no processo de avaliação/intervenção.
  •  A aplicação da CIF como referência no processo educativo dos alunos com necessidades educativas especiais [NEE], foi regulamentada pelo Decreto-Lei nº 3/2008, de 7 de janeiro, que define os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário e consigna os procedimentos para o processo de avaliação e intervenção pedagógica dos alunos com NEE, abrindo-se um novo quadro conceptual com reflexos na formação contínua dos professores.